SPR – Curiosidades

 

Em todo estudo histórico de acontecimentos de longa duração surgem fatos peculiares que nem sempre se encaixam nos textos, mas não deixam de ter valor para uma maior compreensão dos mesmos.

Algumas vezes essas informações carecem de confirmação, mas mesmo assim devem ser colocadas, justamente para proporcionar a que outras pessoas possam se manifestar sobre as mesmas, trazendo enriquecimentos a bem de todos.

Pelas razões acima esta é uma página que passará sempre por atualizações, em vista de que é constituída por informações esparsas, tanto pessoais, como através da literatura e outros meios de comunicação.

Dessa forma fica aberta a participação de todos aqueles que se interessam pela história e existência dessa ferrovia, que foi a mais importante de nosso país.

Vamos lá!

 

1 – A primeira locomotiva da SPR foi batizada com o nome de “Imperador“.

 

A cerimônia foi no pátio da estação do Valongo em Santos.

Essa foi a primeira locomotiva a entrar em operação, no entanto não foi a primeira destinada para a ferrovia, pois esta última foi perdida quando a barca que a trazia naufragou no Oceano Atlântico (vide notícia na página “A Construção”)

 

Vemos a seguir o trecho da notícia, mencionando o batismo efetuado pelo Sr. Aubertin, superintendente da ferrovia.

 

Jornal Revista Commercial – 03-05-1862 – hemeroteca de Santos – pesquisa do autor

 

2 – A Estação do Valongo fica no Largo Marquês de Monte Alegre.

 

Estação do Valongo – 2008 – foto do autor

Valongo – palavra que significa “lugar onde se compra escravos”.

Temos, também, no Rio de Janeiro um cais com o mesmo nome.

Consta que nas proximidades de Lisboa há uma estação de trem com o mesmo nome.

A estação teve sua construção iniciada em 1860 junto ao porto, que na época não possuía cais, pois era local de mangue.

Para a construção da estação, foi desapropriado e demolido o Convento de Santo Antônio, que se localizava junto da igreja de mesmo nome. Foi no quintal desse convento que se iniciaram os trabalhos de construção da ferrovia.

Até os dias de hoje podemos observar o prédio da estação ao lado da igreja.

O edifício da estação passou por adaptações, sendo hoje sede da Secretaria de Cultura de Santos, abrigando ainda um restaurante escola.

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Igreja de Santo Antônio, vendo-se ao fundo cobertura onde foi a gare da estação – 2008 – foto do autor

3 – Os dois casarões, que ficam em frente à antiga estação, foram edificados entre 1867 e 1872 e, constituíram na época, a maior construção da Província de São Paulo.

Fonte:  – São Paulo no Século XIX – José Leonardo do Nascimento – pág. 103

 

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Os dois casarões totalmente destruídos – 2008 – foto do autor
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Já totalmente reformados constituindo o museu Pelé – 2014 – foto do autor

Foram destruídos por um incêndio, e hoje, restaurados, formam bonito conjunto abrigando o Museu Pelé.

Há projeto de nessa região ser construída grande área de desembarque de navios de passageiros.

 

 

 

 

 

4 – Daniel Mackinson Fox, foi o engenheiro responsável pela construção da ferrovia.

Por mais de 24 anos, morou no grande prédio térreo da Rua Alegre (atual Brig. Tobias), esquina da Rua Episcopal nº 100, mudando-se depois para a chácara da Rua da Mooca, 282, onde se localizou a Cia. Antárctica, ao lado da estação.

Voltou para a Inglaterra em 19-04-1880.

Fonte:  – São Paulo Antigo – 1554-1910 – Antônio Egydio Martins – livro II – pág. 431

 

5 – Sarah Bernhardt se apresentou em Santos no Teatro Guarani, na peça “A Dama das Camélias”.

 

Ela chegou de trem, vindo da cidade de São Paulo.

Fonte: – São Paulo Antigo – 1554-1910 – Antônio Egydio Martins – livro II – pág. 103

Sarah, atriz francesa, foi considerada uma das maiores atrizes de sua época, tendo vindo ao Brasil por quatro vezes. Nasceu em 10-1844 e faleceu em 03-1923.

Dentre todas as peças em que participou foi justamente em “A Dama das Camélias” de Alexandre Dumas filho que encontrou um de seus maiores sucessos.

Veio a falecer justamente por causa de um acidente que sofreu em terras brasileiras.

 

6 – As locomotivas do dia 06-09-1865 (quando houve o acidente na inauguração da Estação São Paulo) se chamavam “Ipiranga” e “Mauá”.

Fonte:  – A Capital da Solidão – Roberto Pompeu de Toledo – pág. 360

 

O trem partiu da estação do Brás, conduzindo diversas autoridades, dentre elas o presidente da província. Nas proximidades do Rio Tamanduateí, junto ao atual Parque D. Pedro II, a segunda locomotiva descarrilou causando o acidente.

Uma grande festa estava preparada no Jardim da Luz para recepcionar o trem, porém o acidente trouxe o cancelamento da mesma. Essa viagem, com a inauguração da Estação São Paulo, seria em homenagem ao dia 07 de setembro. Foi antecipada em um dia devido a apresentação que seria realizada no dia seguinte no Teatro São José, localizado na atual Praça João Mendes.

7 – Homenagem póstuma a Romão Justo Filho

(24-03-1911   –   22-11-2005)

Nascido em Paranapiacaba, era de família espanhola e filho de ferroviário. Fez carreira na ferrovia como maquinista, tendo trabalhado na área administrativa. Casou-se na Vila e teve três filhos.

Começou a trabalhar aos treze anos de idade como limpador de máquinas para, mais tarde, conduzi-las com maestria.

Aos 29 de julho de 1956, Romão evitou uma tragédia.

Era um daqueles domingos de festa – era dia de Santos e Corinthians na Vila Belmiro.

A Fiel queria empurrar o Timão, mesmo sabendo que não seria fácil.

O alçapão da vila era quase mortal para os visitantes.

O Santos – que naquela época não era peixe – era baleia, ainda não contava com Pelé, mas tinha Vasconcelos, que era um grande jogador. Ao seu lado Pagão era um terror para os adversários.

Mas  corintianos sempre confiam!

Desceram a serra, e devem ter  ficado encantados pela beleza do local. Mas não sabiam que na volta o risco os esperava.

Uma tragédia pairava no ar.

O abismo serrano aguardava a composição.

O cabo se rompeu!

Acidentes, como esse, não eram raros, e quando ocorriam eram quase sempre fatais.

Mas Romão estava lá! Confiante e seguro, conseguiu com maestria frear a locobreque. Todos foram salvos.

Eram cerca de 150 passageiros.

Foi condecorado pelo governo federal.

Consta que também foi homenageado com uma placa, com seu nome, na locobreque.

Todos o reverenciaram.

E o domingo terminou em festa.

Um grande jogo. 3 x 3.

Se Vasconcelos fez dois, Cláudio (o maior artilheiro da história do Corinthians) também os fez.

A Fiel agradece.

Os pequenos números na escalação se referem a quantas partidas cada jogador disputou. Os pequenos números em “Gols” se referem a quantos gols o jogador marcou
Almanaque do Timão – Celso Dario Unzelte – os pequenos números se referem a quantas partidas foram jogadas pelo Corinthians por aquele campeonato e quantas partidas fez naquele local – pesquisa do autor

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